
Texto Lucas 18. 35- 43
O contexto cultural e religioso da época condicionava a vontade e o desejo de uma pessoa que padecia de algum tipo de doença ou enfermidade.Na concepção judaica alguém que sofria de uma cegueira á semelhança do cego apresentado pelo escritor Lucas era sinónimo de uma maldição divina ou oriunda de uma acção hereditária.A teologia predominante na época contribuía para que as pessoas que sofriam de algum tipo de doença ou algo semelhante padecessem ainda mais e se sentissem condenadas ao eterno sofrimento. Por isso se explica a pergunta que os discípulos fizeram a Jesus, "Mestre quem pecou, este homem ou seus pais, para que este nascesse cego"?A força da religião na mente humana pode provocar uma influência tanto nociva quanto benéfica. Agora mesmo estava vendo uma reportagem pela televisão sobre uma criança que engravidou aos 9 anos de idade, e uma das igrejas bem conhecidas no mundo e que detêm um poder elevado de influência proibia a criança de se abortar por se tratar de um acto contra Deus. Mesmo sabendo que a criança ficou grávida fruto de uma violação do próprio padrasto e pior ainda sem condições físicas para suportar a gravidez. O poder da crença é tão perigosa quanto benéfica. Carl Gustav Jung cujo pai era pastor protestante, como psicólogo desenvolveu vários estudos sobre os efeitos que a religião causa nos bastidores da mente humana. Segundo Jung o comportamento humano reflecte em grande parte as crenças e ensinamentos imbuídos no subconsciente do indivíduo. Se elas forem boas o indivíduo estará salvo de comportamentos neuróticos. Existem actualmente muitas igrejas cujos membros não vão ao médico, acreditam que não podem adoecer, obedecendo uma falsa teologia que circula no meio evangélico. O conceito predominante é "Cristo já levou todas as nossas enfermidades".Doutrina correcta gera crenças correctas.
Consideremos 7 atitudes importantes do cego de Jerico:
1- Ele venceu as suas próprias limitações Vs.35
Venceu o preconceito que imperava da época, a teologia da fatalidade, o isolamento social, a prisão emocional, e o abandono das pessoas.Como hoje acontece, na época a posição social era importante, o cego não chamava atenção de ninguém, era apenas um homem pobre e cego a beira do caminho mendigando.
2- Acreditou numa mudança iminente.
Provavelmente o cego estava atento aos acontecimentos a respeito de Jesus, Ele se informava dos feitos que Jesus realizava. Era cego mas tinha uma percepção auditiva aguçada. Vs. 36Queria se informar do tumulto que estava acontecendo, e alguém lhe disse, "Jesus de Nazaré esta passando" Vs 36b.Que informação maravilhosa o cego ouviu!Nossa existência terá maior significado quando formos portadores de boas informações. Parece que em nosso meio é mais fácil circular informações negativas do que positivas. Somos velozes quando se trata de informações negativas e extremamente lentos quando se trata de boas informações. Há um certo prazer ouvir que a Pessoa "x" está passando por algum tipo de problema. Essa atitude para mim é anticristã e sádico. É inacreditável mais infelizmente acontece no meio cristão.
3- Aproveitou a oportunidade
Muitas pessoas não conseguem mudar de vida porque estão confinadas ás circunstancias e aos problemas da vida. Mergulham no pessimismo e critica constante. Perdem a direcção e o foco principal. Seus olhos se obscurecem e não conseguem ver as oportunidades que a vida lhes dá.O cego de jerico quando ouviu que Jesus estava passando pensou: Agora a minha vez chegou! Ele não ficou parado a espera que Jesus viesse até Ele, certamente se pôs de pé e clamou com alta voz: "Jesus, filho de David tem misericórdia de mim". Vs 38Não importa qual seja o nosso problema, tarde ou cedo Jesus de Nazaré vai passar…
4- Não deu ouvido á voz da impossibilidade
Quando o cego clamava alguém lhe dizia: "Cala-te Jesus não vai te atender"Vs 39Queriam calar a voz de um homem sofredor, o qual tinha a sua frente talvez a sua única oportunidade.Infelizmente na nossa sociedade encontramos pessoas que procuram calar a nossa voz e estão atentas ao que falamos e pensamos. Nossos sonhos e expectativas muitas vezes são alvos de alguém que busca nos calar e dizer que não somos capazes, e que não reunimos condições necessárias. No percurso da nossa vida muitas vozes se levantam, o mais importante é a nossa atitude, determinação e convicção que a Voz Maior está connosco, a do Espírito Santo, ele é imbatível!
5- A voz da possibilidade, não parou de clamar
Quando diziam ao cego que se calasse o texto nos relata que ele clamava ainda mais. Uma atitude determinada constitui um dos caminhos de vitória, não podemos parar quando temos a certeza que o nosso clamor chegará aos ouvidos de Jesus. Vs 39.O cego clamava ainda mais… Esse é o diferencial, clamar ainda mais.A nossa capacidade de acreditar deve ser maior do que os gritos de muitos que se levantam contra nós. Temos a tendência de nos calar ou até parar quando alguém se levanta contra nossos objectivos e projectos. José é um exemplo clássico de um jovem que não se importava com as circunstancias nem com as vozes contrárias.
6- O clamor do cego foi atendido.
Vs 40Quantos já desistiram de clamar pensando que foram ignorados por Jesus? A boa noticia é o que o texto nos apresenta.A bíblia nos diz que Jesus ouviu o clamor do cego, parou e seguiu em sua direcção, mesmo estando no meio de uma grande multidão, Jesus ouviu!Os ouvidos de Jesus estão atentos ao nosso clamor. Ele nunca está indiferente.Ele tem prazer em nos ouvir e nos atender, salmo 40 nos diz: "Clamei com paciência e ele ouviu a minha voz".
7- Jesus deixa a multidão e atende o clamor do cego.
Vs 41É importante observar a pergunta que Jesus fez ao cego:"Que queres que eu te faça"? Foi o penúltimo estágio antes do milagre. Com esta pergunta Jesus provoca no cego uma oportunidade de análise, no sentido de saber o que ele realmente queria, e a consciência da situação em que vivia.Jesus respeita o desejo dele de escolher ser curado ou não. Ele não viola os nossos direitos. Todas as vezes que Jesus curava alguém, a pessoa era livre para escolher. Deus não interfere no livre arbítrio do homem, a menos que tenha um plano maior.O homem precisa dar o direito legal a Deus para que o mesmo tenha "plena liberdade" de intervir na sua história.Essa doutrina é importante, explica porque muitos acontecimentos no mundo se dão e Deus não interfere. Não é porque Ele não quer, pelo contrário, é porque o homem não quer.
Conclusão.
Deus conhece todos os nossos anseios, deseja nos ouvir e mudar a nossa história!
Por: Lino Magno